Segunda, 19 Novembro 2018 09:11

Comunidade quilombola recebe incentivos da Fundação BB para suprir falta de serviços básicos

Escrito por Dalva de Oliveira
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Com cozinha industrial e cisterna os moradores terão condições de trabalhar a produção de polpas de frutas, remédios caseiros e realizar pequenas plantações

Na região conhecida como Quilombo Poços do Lunga, localizada na zona rural da cidade de Taquarana (AL), os descendentes de escravos sofrem com a falta de serviços básicos e de oportunidades de trabalho.

E para abolir o abandono ao qual essa população foi submetida, foi criada, em 2011, a Associação das Comunidades Remanescentes de Quilombos Passagem, com a finalidade de fortalecer o desenvolvimento sustentável e a preservação ambiental nas comunidades do sertão alagoano.

A agricultura familiar de subsistência é a principal atividade econômica da região, acompanhada por eventuais produções artesanais e de gêneros alimentícios, sendo que a maioria das famílias ainda precisa contar com o programa Bolsa Família para sobreviver.

Mesmo estando a cinco quilômetros do Rio Lunga, o acesso à água doce ainda é uma questão complicada. A prolongada seca que afeta a região desde 2012 tem provocado dificuldades de subsistência e intensificado o quadro de vulnerabilidade social. No segundo semestre de 2017, a associação apresentou o projeto “Quilombo, Inclusão e Transformação” à Fundação Banco do Brasil e foi contemplada com o investimento social de R$ 249 mil. O recurso foi usado na implantação de uma cozinha industrial e na construção de uma cisterna de placas de 52 mil litros. O projeto atende 65 famílias residentes no quilombo, contribuindo para promoção da segurança alimentar e geração de trabalho e renda.

Antônia do Espírito Santo é nascida e criada no povoado e hoje ocupa o cargo de coordenadora da associação. Ela explica que nesse período o rio já se encontra totalmente seco, o que faz com que as famílias recorram às cisternas para obterem água potável. “Nossa intenção no primeiro momento era abrir poços artesianos, mas aqui, qualquer tanto que cavar a terra, a água que brota é muito salgada, não serve para nada”.

E para garantir a geração de trabalho e renda, a cozinha industrial, que já está pronta, será usada na produção de polpas de frutas e na fabricação de remédios caseiros derivados de plantas medicinais, como angico, barbatimão, aroeira e caju vermelho. “Vamos trabalhar com as frutas da região, a exemplo do umbu, que no período de safra costuma dar em abundância. Além de outros frutos que já iniciamos o plantio". Os associados também já iniciaram o cultivo de verduras, legumes e folhagens para ajudar na alimentação das famílias. Todas atividades são acompanhadas de conversas para motivar os participantes. “As pessoas aqui são muito desconfiadas, muitas não acreditavam que o projeto iria acontecer, porque nunca tiveram uma renda, mas a gente está sempre trabalhando a questão do pensamento positivo e a autoestima, principalmente com as mulheres e os mais jovens”, declarou Antônia.

Ler 771 vezes Última modificação em Segunda, 19 Novembro 2018 10:16

1 Comentário

  • Link do comentário Antônia do Espirito Santo. Quarta, 12 Dezembro 2018 11:37 postado por Antônia do Espirito Santo.

    Bom dia!
    Sou Antônia do Espirito Santo, Presidente da Associação Quilombola de poços do lunga de Taquarana-AL, a qual está se referindo esta notícia.
    Em primeiro lugar quero agradecer a esta respeitosa entidade pela visibilidade dada ao nosso projeto, ficamos muito felizes em vê as ações que estão sendo realizada com recursos da Fundação Banco do Brasil sendo publicizadas, servindo como exemplo para outras comunidades que se encontram na mesma situação e que pode sim ter sua realidade modificada. Ficamos gratos pela publicação.
    Aproveitamos para fazer um pequeno ajuste nas informações. O rio lunga fica 100 metros da comunidade e não a 5 km. (o qual se encontra seco, só tem água no período chuvoso).

    Grata!
    Att. Antônia do Espírito Santo.

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