Segunda, 30 Março 2020 14:38

Autonomia feminina Destaque

Escrito por Kelly Quirino
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Portal Interno Amaf

A partir de venda de chocolates, mulheres de Rondônia conseguem renda por meio da criação de uma granja

Esta história começa em 2010, na cidade de Ouro Preto do Oeste (RO), município localizado a 323 km de Porto Velho. Alvina, Andreia, Isabel, Josi e Fernanda não imaginavam que com a venda de trufas de chocolate elas poderiam montar uma pequena agroindústria para produção de frangos.

A ideia surgiu como alternativa de renda própria para obterem autonomia dos companheiros. Então, veio a oportunidade de fazer um curso de ovos de páscoa e trufas. Começaram a vender as trufas no centro da cidade e com o dinheiro arrecadado compraram os primeiros pintinhos. Assim nasceu a Associação de Mulheres da Agricultura Familiar – Amaf.

A escolha pela criação de aves surgiu para suprir uma demanda da região, que é conhecida pela produção de gado leiteiro, conta Lilian Barbosa, técnica da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural - Emater na região. “Os maridos já trabalhavam com a produção de leite. Então elas decidiram pelo frango porque aqui tem uma boa saída e é uma atividade que elas já dominavam o processo” conta Lilian.

Um processo árduo – alimentar as aves, cuidar por 65 dias, depois disso começar o abate, congelar e distribuir para os pontos de venda. E ainda tinham de vencer o desafio de obter o selo municipal e estadual para comercialização nos mercados da região.

O apoio de R$ 245 mil da Fundação Banco do Brasil em 2019, a partir de um Projeto de Inclusão Socioprodutiva (PIS), para a modernização da agroindústria ajudou a associação conseguir o selo municipal.

“Elas construíram o lugar, ganharam equipamentos, fizeram cursos de qualificação, visitaram outros abatedouros para saberem o que precisavam, se ajustaram e conseguiram o apoio da Fundação BB e o selo do Serviço de Inspeção Municipal (SIM) para comercialização ”, avalia Lilian Barbosa.

Unidas na produção

A granja que começou de forma artesanal, agora vai ser modernizada para se tornar uma agroindústria. O investimento social da FBB vai possibilitar a compra de mesas para a preparação das aves. Além de câmara fria, ultracongelador e uma lavadora de alta pressão. Para o armazenamento dos frangos, será construída uma pequena subestação com um transformador com 45 kilowatts (kw) de potência.

Maria Isabel Biancardi, tesoureira da associação, diz que a estrutura utilizada na produção não tem capacidade elétrica suficiente para todos estes equipamentos industriais. O apoio da Emater e da FBB foi de fundamental importância pois foi por meio deles que verificou-se a necessidade de uma pequena subestação para armazenarem os frangos até eles serem vendidos. “Às vezes a gente ficava tratando das aves por três, quatro meses, porque não tínhamos espaço para guardar. Agora este problema será resolvido”, conta Isabel.

Para a comercialização, a associação receberá um carro para fazer a logística. Atualmente, a Amaf produz 500 aves por mês e a expectativa é que possam triplicar a produção. “Estamos em negociação com uma grande rede de supermercado da nossa região para vendermos para eles. Assim que conseguirmos a licença estadual, devemos fechar esta parceria”, avalia Isabel.

Quando ela é questionada se valeu a pena vender os chocolates para produzir frango, ela finaliza: “sim, valeu a pena. Só o fato de ganharmos o nosso dinheiro e não dependermos dos nossos maridos, já é uma benção” afirma.

Ler 998 vezes Última modificação em Terça, 31 Março 2020 08:42

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