Thursday, 26 December 2019 13:20

Reuso de Resíduos Vítreos vence na categoria Meio Ambiente Featured

Written by Kelly Quirino
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Tecnologia social oferece solução local para o ciclo de uso do vidro

A cidade de Toledo, localizada no oeste paranaense e distante 540 quilômetros  de Curitiba, estava enfrentando sérios problemas com o descarte do vidro. O lixo doméstico no município produz cerca de 30 toneladas do material por mês. Porém, o valor pago de apenas quatro centavos por quilo, gerava pouco interesse das associações de catadores e recicladores de resíduos sólidos.

A solução veio por meio do professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) Ricardo Schneider, químico de formação, ao lado da estudante de engenharia civil Isabelle Aparecida da Costa que começaram a desenvolver testes para o reuso do vidro para a geração do pó de vidro. “Como usar este material por meio de uma solução local? Então, após um ano e meio de testes compramos a máquina de moer vidro”, afirma o professor.

O material moído é utilizado para fazer concreto e outros produtos para a construção civil. A iniciativa criada pelo professor foi vencedora do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social na categoria Meio Ambiente. O reconhecimento veio no último dia 16 de outubro, durante a cerimônia de Premiação que ocorreu em  Brasília.

“A ideia agora é que esse vidro moído seja um substituto da areia, que é um recurso natural finito”, afirma  Ricardo. Já quanto a parte econômica, a matéria-prima que a gente tem em abundância hoje em dia, que é o resíduo, vai gerar uma renda a mais para os catadores e vai solucionar um problema ambiental. “Na forma de pó, este resíduo pode ser comercializado por um valor até 25 vezes maior que o vidro encontrado no aterro (dependendo do tipo de vidro)”, avalia Ricardo.

Da descoberta pelos fenícios a problema ambiental 

Portal Interno Reuso VitreosO vidro é a embalagem mais antiga conhecida pelo homem. Não se sabe ao certo a data de invenção, mas há registros que por volta de 7000 a.C, os fenícios já utilizavam o material. Os historiadores afirmam que foram os egípcios que difundiram o vidro e sua técnica de fabricação para a Europa, por volta de 1500 a.C.  

Além de ser o material mais antigo, para uso como embalagem, ambientalmente é mais vantajoso, porque pode ser 100% reciclado. O ideal é que o material seja reaproveitado por meio da reciclagem ou reuso, já que são necessários  mais de quatro mil anos para ser decomposto pela natureza.

Porém, na cadeia de reciclagem de resíduos sólidos, o material não tem vantagem competitiva porque pagam muito pouco pelo quilo, principalmente em cidades pequenas, pois estão distantes da indústria de produção.

A tecnologia social de Toledo possibilita todo o ciclo de reuso do vidro seja feito dentro do município, não gerando gastos com transporte destes resíduos. A estudante de engenharia civil Isabelle Aparecida da Costa resume as etapas do processo. “No aterro sanitário ocorre a triagem, onde os vidros são separados por cores, depois passa pela máquina de moer vidros, que chamamos de moagem, que mói o material em três tamanhos diferentes e depois ele é embalado e aplicado em diversas áreas”, conclui. 

Reconhecimento

Além de vencer em primeiro lugar na categoria Meio Ambiente, a tecnologia social Reuso de Resíduos Vítreos, também foi reconhecida pelo júri interno composto pelos funcionários do Banco do Brasil com apoio da Brasilcap. Foram mais de 12 mil funcionários que escolheram, entre três iniciativas, a metodologia que merecia receber o recurso de R$ 10 mil.

A solução recebeu o terceiro prêmio por meio do Anjo Investidor Universitário. Iniciativas relacionadas com universidades, institutos técnicos federais ou instituições de ensino participaram da seleção e os clientes universitários do Banco do Brasil puderam escolher qual melhor metodologia deveria receber o investimento de R$ 10 mil.

Mais de dois mil estudantes universitários votaram e a metodologia  da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) recebeu a premiação que teve apoio da BB Tecnologia e Serviços.

“Foi um momento de felicidade para nós e para o projeto. Ganhar estas três premiações traz um impacto muito grande para gente porque tem vidro em todo lugar. Agora, vamos tentar reaplicar em outras cidades e outros lugares para seguir a proposta do Prêmio da Fundação Banco do Brasil”, finaliza o professor Ricardo.

 

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